By Brazil Stock Guide — O mercado brasileiro de planos de saúde privados voltou a crescer em maio, com Bradesco Saúde e Amil novamente se destacando como os principais motores comerciais do setor.
Dados de beneficiários divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que o setor adicionou 135,8 mil vidas em maio, levando as adições líquidas no trimestre para 146,1 mil beneficiários e o crescimento acumulado no ano para cerca de 137 mil vidas.
O dado reforça que o mercado de planos de saúde voltou a crescer, mas esse crescimento não está sendo distribuído de forma homogênea. Operadoras maiores, com canais de distribuição mais fortes, marcas consolidadas e presença relevante no segmento corporativo, seguem capturando uma fatia desproporcional das novas adesões.
O principal destaque foi a Amil, que adicionou 41,7 mil beneficiários em maio e acumula alta de 113,5 mil vidas no ano. A Bradesco Saúde veio logo atrás no ranking mensal, com 33,4 mil adições líquidas em maio, e aparece como a operadora mais forte no acumulado de 2026, com 186,9 mil novas vidas no ano.
Juntas, Amil e Bradesco Saúde responderam por cerca de 75 mil adições líquidas em maio, mais da metade do crescimento mensal do setor. No acumulado do ano, somam aproximadamente 300 mil novas vidas, deixando claro o atual divisor de águas da saúde suplementar: enquanto o mercado como um todo se expande, as operadoras mais bem posicionadas crescem em ritmo muito superior à média do sistema.
Outras operadoras também ganharam terreno em maio. A Porto Seguro adicionou 14,7 mil vidas no mês e acumula crescimento de 59,8 mil beneficiários no ano, enquanto a Unimed Seguros somou 11,7 mil beneficiários em maio e 49,5 mil no acumulado de 2026.
A SulAmérica apresentou uma leitura mais mista. A operadora adicionou 3,7 mil beneficiários em maio, ou 9,4 mil excluindo os planos ASO (contratos de serviços administrativos), mas ainda acumula queda de 17,9 mil vidas no ano. Sem o recorte consolidado com ASO, a leitura segue exigindo cautela, já que o segmento de serviços administrativos pode distorcer parte da comparação operacional.

Na outra ponta, a principal pressão continuou vindo da Hapvida, que perdeu 9,3 mil beneficiários em maio e acumula queda de 91,4 mil vidas no ano, caminhando na direção oposta. A Hapvida é a maior operadora do setor de planos de saúde do país.
No agregado, a ANS informou que o Brasil tinha 53,1 milhões de beneficiários em planos de assistência médica em maio, além de 36,2 milhões em planos exclusivamente odontológicos. Os dados de fluxo mostram também o quanto o mercado segue competitivo por trás do crescimento líquido. Nos últimos 12 meses, as operadoras reportaram 15,9 milhões de adesões e 15,2 milhões de cancelamentos em planos médico-hospitalares, o que implica crescimento líquido de cerca de 760 mil vidas e uma taxa de rotatividade de 29%.
Somente em maio, a ANS registrou 1,27 milhão de adesões e 1,14 milhão de cancelamentos, resultando no aumento líquido de aproximadamente 135,8 mil beneficiários e em uma taxa de rotatividade mensal de 2,2%. Em outras palavras, o mercado está crescendo, mas continua altamente fluido: as operadoras precisam vender muito apenas para compensar cancelamentos.
A ANS ressalta que os dados de beneficiários se referem a vínculos a planos, e não necessariamente a indivíduos únicos, já que uma mesma pessoa pode ter mais de um plano de saúde. A reguladora também observa que os números podem sofrer revisões retroativas, conforme as operadoras atualizam mensalmente suas informações. Por isso, o retrato de maio deve ser lido como parte de uma tendência mais ampla, e não como um dado final e estático.

Deixe uma resposta