By Brazil Stock Guide – A Ânima Educação (ANIM3) acertou a recompra da FMU por um valor-base de R$ 410 milhões, seis anos depois de ter vendido a instituição por R$ 500 milhões ao fundo Camp Nou, gerido pela Farallon Capital.
A FMU havia passado brevemente pelas mãos da Ânima em 2020, quando a companhia adquiriu os ativos brasileiros da Laureate por R$ 4,4 bilhões. Para acelerar a aprovação da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, a Ânima decidiu retirar a FMU do conjunto de ativos e vendê-la ao Camp Nou.
Agora, a instituição retorna ao grupo por um preço nominal 18% inferior ao valor pelo qual havia sido vendida. A comparação, porém, não é direta: a FMU acumulou dificuldades financeiras, perdeu participação no mercado presencial de São Paulo e entrou em recuperação judicial durante o período em que esteve sob controle do fundo. O plano de recuperação foi homologado pelos credores em fevereiro de 2026.
A transação prevê a aquisição de 100% da Faculdades Metropolitanas Unidas Educacionais. O fechamento depende do cumprimento de condições precedentes e da aprovação do Cade, cuja análise deve ser concluída até o fim de 2026.
Com 58 anos de história, a FMU possui seis campi na cidade de São Paulo, 214 polos de ensino a distância e 51 mil alunos. A instituição é a quinta maior universidade da capital paulista em número de estudantes presenciais.
Nos 12 meses encerrados em março de 2026, a FMU registrou receita líquida de R$ 281,7 milhões, Ebitda ajustado, excluindo os efeitos do IFRS 16, de R$ 52,9 milhões e dívida líquida ajustada de R$ 150,3 milhões.
A margem Ebitda calculada a partir desses números foi de aproximadamente 18,8%. A FMU também possui conceito institucional 5 no Ministério da Educação, a nota máxima do indicador.
Valor econômico pode superar R$ 560 milhões
Os R$ 410 milhões anunciados correspondem ao valor das participações societárias, ou equity value, e não incluem necessariamente toda a dívida da FMU.
Considerando a dívida líquida de R$ 150,3 milhões reportada em março, e antes de eventuais ajustes relacionados à recuperação judicial e ao fechamento, o valor da firma implícito seria de aproximadamente R$ 560 milhões. Com base no Ebitda divulgado, isso representaria um múltiplo indicativo próximo de 10,6 vezes EV/Ebitda e de duas vezes a receita líquida.
Os cálculos são apenas uma referência. A dívida da FMU, o tratamento dos passivos reestruturados e outras condições financeiras poderão mudar até a conclusão do negócio.
A Ânima pagará R$ 240 milhões em dinheiro no fechamento. Caso a operação seja concluída depois de 31 de dezembro de 2026, o valor será corrigido pelo CDI a partir dessa data. Uma segunda parcela terá valor mínimo de R$ 170 milhões, corrigido pelo CDI desde a assinatura do contrato. O pagamento ocorrerá em 31 de dezembro de 2029 ou três anos depois da aprovação definitiva pelo Cade, prevalecendo a data que ocorrer primeiro.
O valor diferido poderá aumentar conforme uma fórmula vinculada à evolução do Ebitda e da dívida líquida da FMU. O cálculo considera, entre outros fatores, o eventual Ebitda da instituição acima de R$ 70 milhões.
A estrutura permite à Ânima desembolsar inicialmente cerca de 59% do preço-base. A correção das parcelas pelo CDI, no entanto, significa que o pagamento nominal final será superior aos R$ 410 milhões, mesmo sem um acréscimo relacionado ao desempenho da FMU.
A aquisição da FMU deverá elevar a alavancagem da Ânima. Mas a companhia espera retomar posteriormente a trajetória de redução da dívida, apoiada na geração de caixa e no aumento do Ebitda da operação combinada.

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