By Brazil Stock Guide — A Aegea Saneamento está voltando aos acionistas para buscar até R$ 2,1 bilhões em capital novo, em um movimento que deixa claro o momento da companhia: depois de anos de expansão agressiva, a prioridade agora é reforçar o balanço e acelerar a desalavancagem.
A companhia convocou uma assembleia geral extraordinária para 28 de julho de 2026 para aprovar um aumento de capital entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,1 bilhões. A operação prevê a emissão de até 37,98 milhões de novas ações ordinárias, ao preço de R$ 55,29 por ação. A Itaúsa, uma das acionistas da Aegea, afirmou que poderá aportar entre cerca de R$ 730 milhões e R$ 1,5 bilhão, dependendo da adesão dos demais investidores.
O reforço de capital foi apresentado pela própria Aegea como parte de seu plano de gestão de capital e redução da alavancagem.
O movimento vem em um momento sensível. No 1T26, a Aegea encerrou o trimestre com dívida líquida societária de R$ 31,6 bilhões e alavancagem de 3,89 vezes dívida líquida/EBITDA. Um ano antes, esse indicador era de 2,83 vezes. Na visão proforma do ecossistema Aegea, que inclui ativos como Águas do Rio, a dívida líquida chegava a R$ 48,6 bilhões e a alavancagem estava em 4,43 vezes.
Na prática, a capitalização ajuda a recompor folga financeira. Considerando apenas a visão societária e tudo o mais constante, uma injeção de R$ 1,5 bilhão poderia reduzir a alavancagem para cerca de 3,70 vezes. No teto da operação, de R$ 2,1 bilhões, o indicador cairia para perto de 3,63 vezes.
Esse é o pano de fundo financeiro da operação. A Aegea continua sendo uma das principais plataformas privadas de saneamento do Brasil, mas seu balanço ficou mais pesado depois de um ciclo intenso de concessões, outorgas e investimentos. A empresa cresceu, mas também passou a carregar uma estrutura de capital mais exigente.
A pressão ficou mais evidente na disputa pela Copasa. A Aegea apareceu na primeira fase do processo, por meio de um consórcio ligado a seus acionistas, mas não seguiu até o fim. Na etapa decisiva, o grupo não apresentou nova oferta, e a Equatorial acabou ficando sozinha na disputa. A empresa venceu com proposta de R$ 49,03 por ação para comprar 30% da estatal mineira.
O episódio mudou a leitura sobre o setor. A Equatorial, que já havia sido o investidor de referência na privatização da Sabesp, voltou a ganhar protagonismo no saneamento. A Aegea, por sua vez, mostrou que ainda é uma operadora central no setor, mas que seu balanço impõe limites mais claros ao ritmo de expansão.
O aumento de capital também tem um piso. Se os acionistas subscreverem menos de R$ 1,5 bilhão, a operação será automaticamente cancelada. Se o volume atingir pelo menos esse valor, a companhia convocará uma nova assembleia para homologar o aumento, total ou parcialmente.

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