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E o Oscar Vai Para… Brava

Empresa brasileira independente ganha no Texas o maior prêmio do setor de exploração offshore.

FPSO Atlanta operating in deepwater Brazil as part of the award-winning Atlanta field project

By Brazil Stock Guide – Em um ano em que o cinema nacional com O Agente Secreto concorrerá a estatuetas em Hollywood, uma empresa brasileira já tem seu próprio troféu para exibir. A BRAVA Energia venceu, em Houston, o OTC Distinguished Achievement Award for Companies — o principal prêmio da Offshore Technology Conference (OTC) — pelo desenvolvimento do sistema definitivo do campo de Atlanta, na Bacia de Santos.

Com isso, a BRAVA tornou-se a primeira empresa independente brasileira a conquistar a principal distinção corporativa da OTC, tradicionalmente dominada por grandes multinacionais do setor. O reconhecimento contempla a implementação do Sistema Definitivo de Atlanta, considerado um dos projetos de óleo pesado em águas profundas mais complexos atualmente em operação no país. “A conquista evidencia competência técnica com disciplina de capital”, afirmou o diretor-presidente, Richard Kovacs, em comunicado.

Medidas de eficiência energética na adaptação do FPSO e o uso de bombas multifásicas como parte da estratégia operacional foram o destaque. A Petrobras, ao longo das últimas décadas, já recebeu o prêmio OTC cinco vezes — o que dimensiona o simbolismo de uma independente entrar nessa galeria.

Terreno delicado

Localizado a cerca de 185 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, em lâmina d’água superior a 1.500 metros, Atlanta não é um campo qualquer. Produz petróleo de 14º API, de alta viscosidade, em um reservatório raso e sensível. É uma areia quase no limite entre rocha e grão solto: se o óleo arrasta areia para dentro do poço, o poço pode se perder; se a perfuração exagera, fratura; se fratura, colapsa.

Para levar adiante o projeto exploratório, o cenário tornou-se ainda mais delicado em 2020. A pandemia derrubou o preço do barril, um parceiro deixou o projeto e a companhia se viu diante de uma encruzilhada: devolver o campo ou assumir sozinha um empreendimento geralmente reservado as grandes petroleiras. Optou pela alternativa menos confortável.

A BRAVA assumiu 100% do desenvolvimento e redesenhou o escopo técnico para reduzir custos e simplificar interfaces. O projeto foi reconfigurado com uma lógica austera: menos complexidade, disciplina rígida para mudanças e foco na execução. A decisão final de investimento foi aprovada em fevereiro de 2022, em um aporte estimado em cerca de US$ 1,2 bilhão, segundo a empresa.

Soluções técnicas

O coração da operação é o FPSO Atlanta — uma unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo (Floating Production, Storage and Offloading). Trata-se, na prática, de um navio- plataforma capaz de produzir, processar, armazenar e transferir o óleo para navios menores. A unidade tem capacidade para produzir até 50 mil barris por dia e armazenar 1,6 milhão de barris.

Em documentário corporativo publicado pela própria companhia no YouTube, as imagens alternam close-ups de soldas e cabos com depoimentos que misturam veteranos de “quase 48 anos de petróleo” e jovens engenheiros. Fala-se em poços horizontais com até 800 metros dentro da formação, em operações de gravel pack executadas com 100% de sucesso e em bombas multifásicas trazidas da Noruega para garantir a elevação artificial de um óleo que não flui com facilidade.

A configuração exigiu poços horizontais longos, sistemas avançados de controle de sólidos e bombeamento multifásico para assegurar estabilidade ao longo da vida útil do campo. O primeiro óleo do sistema definitivo foi obtido em dezembro de 2024. Desde então, segundo a companhia, Atlanta já produziu mais de 11 milhões de barris e atingiu um pico diário de 45,5 mil barris — patamar próximo à capacidade da unidade.

Para o diretor de operações offshore, Carlos Travassos, o prêmio é “um marco que reafirma nossa estratégia de geração de valor e envia uma mensagem positiva para toda a indústria independente brasileira”.

Décio Oddone, ex-presidente da Brava até janeiro e que liderou a concepção e a implantação do sistema definitivo, resumiu a trajetória em artigo publicado nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, no site especializado Eixos: “Produzimos o improduzível. Executamos o inexecutável. Sonhamos o insonhável. E ganhamos o inganhável.

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