# Usiminas cobra mais proteção contra aço asiático além da China

*Importações sobem até 78% fora do país asiático, antidumping ainda não surte efeito e empresa vê risco estrutural no fluxo global.*

- Published: 2026-04-24
- Section: Insights
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**By Brazil Stock Guide –** A Usiminas (USIM5) elevou o tom por mais proteção comercial no Brasil ao afirmar, durante a teleconferência de resultados do **1T26**, que a pressão das importações de aço permanece elevada — e mudou de geografia. Mesmo após medidas antidumping contra produtos chineses, a companhia alertou que o fluxo segue intenso via países asiáticos como Coreia do Sul e Vietnã, colocando em risco a recuperação recente das margens.

**Margem volta, mas sob pressão**

A siderúrgica reportou EBITDA consolidado de **R$ 653 milhões**, alta de **56%** frente ao trimestre anterior, sustentado por uma estratégia de priorização de rentabilidade. A empresa reduziu volumes, mas elevou a qualidade do mix, com maior exposição ao setor automotivo. “O EBITDA mostra um aumento significativo frente ao trimestre anterior, reflexo de um melhor mix de produtos em siderurgia”, disse o CFO, **Diego Garcia**.

Os despachos de aço caíram cerca de **7%**, enquanto a receita por tonelada subiu quase **5%**, levando a margem da siderurgia de volta a níveis de dois dígitos.

**Importações aceleram e mudam de origem**

O avanço das importações foi um dos principais pontos de atenção do call. Segundo a companhia, o volume total importado cresceu cerca de **30% no 1T26** frente ao trimestre anterior, impulsionado por uma corrida antecipada antes da entrada em vigor das tarifas.

Mais relevante foi a mudança de origem. As importações de países asiáticos fora da China avançaram **78% na comparação anual**, com destaque para **Coreia do Sul, Vietnã e outros países do Sudeste Asiático**, além do **Egito**, que quadruplicou volumes. “Certamente as importações do primeiro trimestre foram excessivamente elevadas”, afirmou o vice-presidente comercial, **Miguel Camejo**.

Segundo ele, o fenômeno reflete um problema maior. “Essa situação gera um impacto indireto, com esses países derivando material excedente de seus mercados internos para o Brasil.”

**Fluxo estrutural, não episódico**

Para a Usiminas, esse movimento não é pontual. Ainda que o pico recente tenha sido amplificado por antecipação de compras, inflando estoques ao longo da cadeia, a leitura da companhia é que o fluxo tende a persistir.

A lógica é de desvio de comércio. À medida que o Brasil restringe o aço chinês, produtores de outras regiões passam a ocupar esse espaço, muitas vezes sob condições comerciais semelhantes. Com estoques elevados, o segundo trimestre pode mostrar uma acomodação técnica. Mas o risco relevante está no médio prazo, quando a pressão competitiva pode retornar com força caso não haja reforço das medidas de defesa comercial.

**Antidumping ainda não apareceu**

Apesar das tarifas sobre laminados a frio e revestidos, a empresa reconhece que o efeito ainda não chegou ao mercado. “É um fato que ainda não vemos esse impacto das medidas definidas no início do ano”, disse Camejo. A explicação está no timing. Importadores anteciparam compras em fevereiro e março, elevando estoques e atrasando a normalização da demanda doméstica. A expectativa é que esse ajuste ocorra apenas no **segundo semestre de 2026**.

**Laminado quente é o próximo teste**

Diante desse cenário, a investigação sobre **laminados a quente da China**, com decisão esperada para julho, ganha centralidade. “É muito relevante a implementação definitiva das medidas antidumping para bobina quente”, afirmou Camejo. A companhia ainda não observa queda nas importações desse segmento e vê risco de repetição do ciclo de antecipação.

**Custos sobem, preços tentam acompanhar**

O ambiente de custos também piora. A empresa projeta alta em placas, carvão, coque, energia e fretes, pressionados pelo aumento do petróleo e do gás.

“Praticamente todas as matérias-primas vão sofrer aumento”, disse Garcia. Para compensar, a Usiminas implementou reajustes de cerca de **5%** nos preços a partir de abril no mercado spot e de distribuição, mantendo foco em rentabilidade.

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Source: Brazil Stock Guide, https://brazilstockguide.com/br/insights-br/usiminas-cobra-mais-protecao-contra-aco-asiatico-alem-da-china/
