# Stone e PagBank enfrentam pressão do Pix apesar da recuperação dos volumes

*Copa do Mundo deve impulsionar transações no segundo trimestre, mas avanço dos pagamentos instantâneos e de segmentos menos rentáveis tende a limitar receitas e lucros das empresas.*

- Published: 2026-07-20
- Section: Insights
- Tags: Pix
- URL: https://brazilstockguide.com/br/insights-br/stone-e-pagbank-enfrentam-pressao-do-pix-apesar-da-recuperacao-dos-volumes/

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**By Brazil Stock Guide** — O segundo trimestre deve mostrar uma aparente contradição para as empresas brasileiras de meios de pagamento: o volume de transações voltou a acelerar, mas isso não deve se traduzir em crescimento equivalente de receitas e lucros. A razão é a mudança na composição das operações, com o Pix ganhando participação e comprimindo a rentabilidade das adquirentes.

Essa é a principal conclusão de um relatório do BTG Pactual sobre os resultados de Stone (NASDAQ: STNE) e PagBank (NYSE: PAGS). O banco estima que ambas divulgarão lucros cerca de 5% abaixo de suas próprias projeções e também abaixo do consenso do mercado, refletindo principalmente a pressão sobre os chamados *take rates* — a receita obtida por cada transação processada.

Na avaliação do BTG, os gastos relacionados à Copa do Mundo devem impulsionar o volume total de pagamentos no trimestre. O problema é que boa parte desse crescimento vem de operações menos rentáveis. No caso da Stone, o avanço do Pix continua reduzindo a participação das transações com cartões. Já no PagBank, o aumento das vendas em restaurantes e outros segmentos de menor rendimento também tende a pressionar as margens.

Para a Stone, o BTG projeta lucro líquido de aproximadamente R$ 580 milhões, alta de 6% em relação ao trimestre anterior, mas queda de 3% na comparação anual. Embora o volume total de pagamentos deva acelerar em relação ao primeiro trimestre, as transações com cartões devem continuar em retração frente ao mesmo período de 2025, enquanto o Pix ganhará ainda mais espaço no conjunto das operações, reduzindo a monetização da companhia.

O crédito continua sendo a principal aposta de crescimento da Stone no médio prazo. O BTG estima que a carteira alcance cerca de R$ 3,6 bilhões, impulsionada por empréstimos de capital de giro e linhas apoiadas pelo BNDES. Mesmo assim, o banco acredita que a qualidade dos ativos continuará pressionada no trimestre, com aumento da inadimplência acima de 90 dias e maiores provisões para perdas.

No PagBank, a expectativa é de lucro líquido próximo de R$ 550 milhões, alta de 1% em relação ao trimestre anterior e de 3% sobre um ano antes. O volume de pagamentos deve voltar a crescer em ritmo de um dígito baixo, beneficiado pelos gastos ligados à Copa do Mundo e às apostas esportivas, mas o crescimento da receita deve ficar limitado a cerca de 1,5%, insuficiente para acompanhar a expansão das transações.

A carteira de crédito do PagBank deve continuar crescendo acima da faixa de 25% a 35% projetada pela própria companhia, embora em ritmo mais moderado do que no primeiro trimestre. Ao mesmo tempo, o custo de risco deve superar 5%, refletindo tanto a mudança no perfil da carteira quanto as provisões iniciais para novos empréstimos. Produtos como crédito consignado privado e Pix Finance devem ganhar relevância ao longo do segundo semestre e se tornar motores mais importantes de crescimento em 2027.

Para o BTG, o desafio das duas empresas é estrutural. O crescimento do Pix mudou a dinâmica do mercado brasileiro de pagamentos: as companhias continuam processando um número cada vez maior de transações, mas uma parcela crescente dessas operações gera menos receita. Esse cenário reduz a capacidade de transformar expansão de volumes em crescimento de resultados e torna crédito e outros serviços financeiros cada vez mais importantes como fontes de rentabilidade.

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Source: Brazil Stock Guide, https://brazilstockguide.com/br/insights-br/stone-e-pagbank-enfrentam-pressao-do-pix-apesar-da-recuperacao-dos-volumes/
