# Raízen registra prejuízo de R$ 27 bi, um dos maiores da história corporativa brasileira

*Perda anual, pressionada por impairment bilionário e custo da dívida, expõe a profundidade da crise financeira da companhia em meio à recuperação extrajudicial apoiada por Shell e credores.*

- Published: 2026-06-29
- Updated: 2026-07-06
- Section: Insights
- Tags: açúcar e etanol, Aguassanta, bioenergia, combustíveis, Cosan, dívida corporativa, empresas brasileiras, impairment, infrastrucuture, mercado de capitais, prejuízo corporativo, Raízen, RAIZ4, recuperação extrajudicial, Shell
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**By Brazil Stock Guide** — A Raízen fechou o ano-safra 2025/26 com um prejuízo líquido de **R$ 27,1 bilhões**, em um dos maiores tombos já registrados por uma companhia brasileira de capital aberto em termos nominais, colocando a crise da empresa no mesmo mapa dos grandes choques contábeis do mercado brasileiro. Os resultados foram divulgados nesta segunda-feira, dia 29. O calendário fiscal da empresa encerrou em março.

O número não supera os casos históricos de Vale e Petrobras em 2015, quando as duas gigantes reportaram perdas de **R$ 44,2 bilhões** e **R$ 34,8 bilhões**, respectivamente. Mas é grande o suficiente para entrar na galeria dos maiores prejuízos corporativos do país e ultrapassa, em valor nominal, o prejuízo de **R$ 21,6 bilhões** registrado pela Petrobras em 2014, no auge do impacto inicial da Lava Jato sobre seus balanços.

No caso da Raízen, a perda foi amplificada por uma combinação de **impairment de R$ 22,5 bilhões**, aumento das despesas financeiras, baixa de ativos e custos ligados ao processo de recuperação extrajudicial. A companhia encerrou o período com **dívida líquida de R$ 58,2 bilhões** e alavancagem de **5,2 vezes o EBITDA ajustado**, ante 3,2 vezes um ano antes.

A fotografia é particularmente dura porque o resultado operacional ajustado não colapsou na mesma proporção. O EBITDA ajustado anual ficou em **R$ 11,3 bilhões**, queda de apenas 2,3% sobre o ano anterior. Mas o EBITDA contábil caiu 92%, para **R$ 1,1 bilhão**, mostrando a distância entre a narrativa de recuperação operacional e o estrago provocado pelo balanço.

A empresa tenta enquadrar o momento como uma virada estrutural. No relatório, a administração afirma que reduziu custos e despesas em cerca de **R$ 1 bilhão**, cortou CAPEX em **R$ 3,3 bilhões** e avançou na simplificação do portfólio, com impacto positivo estimado de **R$ 12 bilhões** na posição financeira.

Mas o centro da história está na recapitalização. O plano de recuperação extrajudicial prevê um aporte de **R$ 3,5 bilhões da Shell**, possível contribuição de **R$ 500 milhões da Aguassanta** e a conversão de **45% dos créditos reestruturados em participação acionária**, por meio de units compostas por ações ordinárias e preferenciais da Raízen. Os 55% restantes seriam substituídos, refinanciados ou aditados por novos instrumentos de dívida.

Há, portanto, duas Raízens no mesmo balanço. Uma é a companhia operacional, ainda dona de ativos relevantes em combustíveis, açúcar, etanol e bioenergia. A outra é uma empresa com estrutura de capital deteriorada, custo financeiro elevado e necessidade urgente de reorganização patrimonial.

O principal contraponto positivo veio da distribuição de combustíveis no Brasil. O segmento reportou EBITDA ajustado de **R$ 5,7 bilhões** no ano-safra, alta de **35,5%**, com expansão de volumes e melhora de margem. A unidade brasileira de combustíveis ajudou a amortecer a queda em açúcar, etanol e bioenergia, onde a menor moagem, os preços mais fracos de açúcar e a queda de produção pesaram sobre o resultado.

Ainda assim, a Raízen está tentando mostrar que há um negócio viável por baixo da dívida, mas o prejuízo de R$ 27 bilhões mostra que a reestruturação deixou de ser uma escolha financeira e virou condição para preservar a companhia.

Para investidores, a pergunta agora não é apenas quanto a Raízen pode gerar de EBITDA em um ciclo normalizado. É quanto desse valor ficará com os atuais acionistas depois da conversão de dívida em capital, dos aportes dos controladores e da reorganização dos ativos.

O prejuízo bilionário transforma a Raízen em um dos casos mais emblemáticos da atual safra de desalavancagem no Brasil: uma empresa estratégica, apoiada por acionistas fortes, com operação relevante, mas cujo balanço ficou pesado demais para ser resolvido apenas com eficiência operacional.

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Source: Brazil Stock Guide, https://brazilstockguide.com/br/insights-br/raizen-registra-prejuizo-de-r-27-bi-um-dos-maiores-da-historia-corporativa-brasileira/
