# Petrobras Reativa Aposta em Gás de Urucu na Amazônia

*Estatal planeja novos poços em sua província madura no Amazonas, com foco em gás natural, GLP e logística fluvial.*

- Published: 2026-05-25
- Section: Insights
- Tags: Amazônia, Amazonas, energia no Norte, Estaleiro Bertolini, gás de Urucu, gás natural, investimentos da Petrobras, logística fluvial, Petrobras, Petrobras Amazonas, produção de gás
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**By Brazil Stock Guide –** A Petrobras (PETR3; PETR4) e a Transpetro devem anunciar mais de R$2,8 bilhões em investimentos no Amazonas até 2030, em um movimento que recoloca a província petrolífera de Urucu no centro da estratégia energética da companhia para a região Norte. O anúncio está previsto para quarta-feira, 27 de maio, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do presidente da Transpetro, Sérgio Bacci.

O núcleo do pacote é um novo ciclo de investimentos em Urucu, onde a Petrobras planeja destinar cerca de R$2,5 bilhões à perfuração de novos poços. A cerimônia será realizada no Estaleiro Bertolini, em Manaus, responsável pela construção de 18 barcaças encomendadas pela Transpetro para melhorar a logística de combustíveis marítimos nos portos brasileiros.

**Polo de gás**

Urucu, localizado em Coari, a cerca de 650 quilômetros de Manaus, não é uma nova fronteira. É uma operação terrestre madura, em produção desde 1988. Ainda assim, segue como um dos ativos mais importantes da Petrobras na Amazônia e uma peça crítica para a segurança energética da região Norte.

O campo é mais relevante pelo gás do que pelo petróleo. A Petrobras já descreveu Urucu como o terceiro maior produtor de gás natural do Brasil, com produção média de cerca de 5,1 milhões de metros cúbicos por dia. Esse gás ajuda a abastecer aproximadamente 65% da geração elétrica de Manaus e de outros cinco municípios do Amazonas. O complexo também produz, em média, cerca de 80 mil botijões de GLP por dia, atendendo todos os estados da região Norte e parte do Nordeste.

**Gás, não pré-sal**

A tese de investimento de Urucu é estender a vida útil de campos maduros, compensar o declínio natural da produção e manter o fluxo de gás em uma região onde a infraestrutura é difícil e a logística energética é cara. A Petrobras planeja perfurar novos poços de desenvolvimento dentro de seu plano de negócios 2026–2030, ao mesmo tempo em que busca ampliar a comercialização de GNL em pequena escala no Amazonas. A companhia vê a iniciativa como uma forma de aumentar a oferta de gás, reduzir a dependência de combustíveis mais poluentes e atender consumidores regionais fora da malha tradicional de gasodutos.

**Risco amazônico**

O problema é que Urucu está dentro da Amazônia, o que torna qualquer expansão de petróleo e gás mais sensível do ponto de vista ambiental e reputacional. A Petrobras costuma apresentar Urucu como uma operação terrestre controlada, com áreas preservadas, programas de reflorestamento e décadas de experiência técnica na floresta. Mas o risco básico permanece: perfuração, dutos, transporte fluvial e logística de combustíveis em um dos biomas mais sensíveis do mundo.

Esse risco é diferente do debate offshore em torno da Margem Equatorial, mas não é irrelevante. Em Urucu, a preocupação não está tanto em um grande vazamento marítimo, e sim na disciplina operacional dentro da floresta — vazamentos, acidentes no transporte pelos rios, gestão de resíduos, emissões e a crescente vulnerabilidade da logística amazônica a secas extremas.

**Logística dos rios**

As 18 barcaças encomendadas ao Estaleiro Bertolini fazem parte dessa equação mais ampla. O programa de renovação de frota da Transpetro busca fortalecer a logística de combustíveis, reduzir a dependência de embarcações afretadas e ampliar a flexibilidade no transporte de GLP e outros produtos pelo sistema portuário e fluvial brasileiro.

Isso importa porque o sistema energético da região Norte é profundamente dependente dos rios. Quando o nível das águas cai, a logística fica mais cara e mais frágil. Em períodos de seca severa, transportar combustíveis, GLP e petróleo pela bacia amazônica deixa de ser apenas uma questão de custo e passa a ser um problema de segurança energética.

**Capital político**

A presença de Lula dá ao anúncio uma dimensão política evidente. A Petrobras está vinculando o pacote à indústria naval, ao desenvolvimento regional e à segurança energética no Norte — temas que se encaixam na agenda de política industrial do governo.

Urucu não muda a escala da Petrobras, ainda dominada pelo pré-sal. Mas pode ajudar a preservar a oferta de gás, sustentar a produção de GLP e reduzir o estresse logístico em uma região onde a infraestrutura energética é difícil de construir e ainda mais difícil de operar.

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Source: Brazil Stock Guide, https://brazilstockguide.com/br/insights-br/petrobras-reativa-aposta-em-gas-de-urucu-na-amazonia/
