# Operadoras de planos de saúde lucram R$ 4,9 bilhões no segundo trimestre, puxadas pelo resultado financeiro

*Bradesco lidera o trimestre, seguida por SulAmérica e Postal Saúde; ganho financeiro chega a R$ 3,9 bilhões e fica 75% acima do resultado operacional.*

- Published: 2026-09-16
- Section: Insights
- Tags: 2T26, Amil, ANS, Bradesco Saúde, operadoras de saúde, planos de saúde, Postal Saúde, resultado financeiro, Saúde Suplementar, sinistralidade, SulAmérica
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**By Brazil Stock Guide –** As operadoras médico-hospitalares brasileiras registraram **lucro líquido de R$ 4,89 bilhões no segundo trimestre de 2026**, num período em que o resultado financeiro ganhou peso e passou a superar com folga o desempenho obtido diretamente com a operação dos planos de saúde.

Entre abril e junho, o **resultado financeiro somou R$ 3,94 bilhões**, enquanto o **resultado operacional ficou em R$ 2,25 bilhões**. O ganho financeiro foi, portanto, cerca de **75% maior que o operacional** e respondeu por quase 58% dos **R$ 6,80 bilhões de resultado antes de impostos e participações**. O resultado patrimonial acrescentou outros R$ 615 milhões.

A mudança de composição foi um dos principais pontos destacados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na apresentação dos números. No primeiro trimestre, resultado operacional e financeiro estavam mais próximos. No segundo, o componente financeiro acelerou e passou à frente.

“O resultado financeiro deu uma turbinada”, disse **Washington Alves, gerente de Habilitação e Estudos de Mercado da ANS**. “Agora a gente já vê um volume de resultado financeiro até maior do que o resultado operacional.”

A operação de planos também continuou no azul. O resultado operacional de R$ 2,25 bilhões no segundo trimestre ficou cerca de **20% acima** do registrado no mesmo período de 2025. Isso ajuda a separar a fotografia do trimestre daquela do acumulado do semestre, ainda afetado por uma provisão técnica extraordinária de R$ 2,7 bilhões constituída pela **SulAmérica** Companhia de Seguro no primeiro trimestre.

Segundo a ANS, esse efeito não recorrente distorce a comparação do resultado operacional acumulado com o ano passado e não deve ser interpretado como uma deterioração equivalente do desempenho do conjunto do setor.

A melhora também apareceu na distribuição dos lucros. **71,4% das operadoras médico-hospitalares fecharam o segundo trimestre com resultado líquido positivo**, ante 70,1% no mesmo período de 2025. A proporção está bem acima dos 50,8% registrados no segundo trimestre de 2022, no período mais crítico da recuperação pós-pandemia.

O avanço do resultado financeiro ocorre num ambiente de juros elevados e com um estoque cada vez maior de recursos investidos pelas empresas. As operadoras médico-hospitalares encerraram junho com cerca de **R$ 142,4 bilhões em aplicações financeiras**, acima dos aproximadamente R$ 140 bilhões de março e dos R$ 134 bilhões do fim de 2025.

A carteira é majoritariamente de renda fixa. Cerca de **R$ 87,7 bilhões, ou 61,6%, estavam em títulos privados**, enquanto outros **R$ 51,6 bilhões, ou 36,3%, estavam em títulos públicos**. Aproximadamente metade das aplicações estava registrada como garantidora, vinculada à cobertura das provisões técnicas, e a outra metade correspondia a recursos livres.

A ANS ressalta que a geração de resultado financeiro faz parte da própria dinâmica dos planos de saúde. As operadoras recebem mensalidades antes de boa parte dos desembolsos assistenciais e mantêm recursos aplicados para fazer frente às despesas futuras. O nível elevado dos juros, porém, ampliou significativamente o retorno dessas carteiras.

Washington Alves disse que o **resultado financeiro está em nível recorde em praticamente todas as modalidades**, com exceção das autogestões, e que o efeito é especialmente forte nas grandes empresas, que carregam volumes maiores de aplicações. “É natural que haja uma cultura de aplicação financeira”, afirmou Alves, ao explicar a defasagem entre o recebimento das mensalidades e o pagamento de parte das despesas assistenciais.

#### Bradesco lidera o trimestre

Entre as empresas, a **Bradesco Saúde** apresentou o maior lucro líquido no segundo trimestre, com **R$ 911,3 milhões**, equivalente a 18,6% de todo o resultado das operadoras médico-hospitalares no período.

A **Sul América** veio logo atrás, com **R$ 873,0 milhões**, seguida pela **Postal Saúde**, com R$ 470,9 milhões, e pela **Amil**, com R$ 441,2 milhões. Juntas, as quatro responderam por aproximadamente **55% do lucro líquido do setor no trimestre**.

A composição dos resultados foi bastante diferente entre elas. Na Bradesco Saúde, o **resultado financeiro de R$ 873,4 milhões foi mais que o dobro do operacional**, de R$ 425,0 milhões. Na SulAmérica, os dois componentes ficaram praticamente empatados: **R$ 454,7 milhões de resultado operacional e R$ 454,7 milhões de resultado financeiro**. A seguradora registrou ainda R$ 300,1 milhões de resultado patrimonial, levando o resultado antes de impostos a R$ 1,21 bilhão.

A Postal Saúde seguiu uma lógica diferente. Seus **R$ 470,9 milhões de lucro** vieram essencialmente da atividade operacional, que gerou R$ 474,8 milhões no trimestre, enquanto o resultado financeiro foi ligeiramente negativo. Na Amil, o resultado operacional alcançou **R$ 356,9 milhões**, e o financeiro somou **R$ 259,4 milhões**, parcialmente compensados por um resultado patrimonial negativo de R$ 51,6 milhões.

Depois das quatro líderes aparecem **Unimed Belo Horizonte**, com R$ 239,8 milhões de lucro líquido, **Samedil**, com R$ 186,0 milhões, **Unimed Seguros Saúde**, com R$ 180,8 milhões, e **Porto Seguro Saúde**, com R$ 145,7 milhões.

Entre as duas principais operadoras do grupo Hapvida, a **Notre Dame Intermédica registrou lucro de R$ 137,0 milhões no segundo trimestre**, enquanto a **Hapvida Assistência Médica lucrou R$ 49,5 milhões**. Somadas, as duas operadoras reguladas pela ANS tiveram resultado líquido de **R$ 186,5 milhões** no período.

Os números do segundo trimestre mostram, assim, duas forças atuando ao mesmo tempo. A operação dos planos continua lucrativa e melhorou na comparação anual, enquanto os juros elevados transformaram a carteira financeira das operadoras numa fonte ainda maior de resultado. No segundo trimestre, o setor ganhou dinheiro com saúde e ainda mais com o dinheiro aplicado.

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Source: Brazil Stock Guide, https://brazilstockguide.com/br/insights-br/operadoras-de-planos-de-saude-lucram-r-49-bilhoes-no-segundo-trimestre-puxadas-pelo-resultado-financeiro/
