# Oncoclínicas pede recuperação extrajudicial para dívida de R$ 5,1 bilhões

*Companhia inicia processo com apoio de credores que representam 37% dos créditos abrangidos; plano poderá incluir aporte dos acionistas, conversão de dívida em ações e extensão dos vencimentos.*

- Published: 2026-07-14
- Section: Insights
- Tags: healthcare, private healthcare
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**By Brazil Stock Guide** — A Oncoclínicas do Brasil (ONCO3) entrou com pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar aproximadamente R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras sem garantia, além de outros créditos entre empresas do grupo.

O pedido foi distribuído em 13 de julho e transforma as negociações com bancos e demais credores em um processo formal, com regras e prazos definidos para o reperfilamento das obrigações financeiras da companhia.

A empresa já obteve a adesão de credores que representam cerca de 37% dos créditos abrangidos pelo plano. O percentual é suficiente para iniciar o processo, mas ainda não representa a aprovação definitiva da reestruturação.

A partir do processamento do pedido, a Oncoclínicas terá 90 dias para alcançar o apoio mínimo necessário à homologação judicial. Caso cumpra essa exigência, os novos termos de pagamento poderão passar a vincular 100% dos créditos incluídos no plano, inclusive aqueles detidos por credores que não tenham aderido inicialmente.

#### Aporte e conversão de dívida estão sobre a mesa

A companhia indicou quatro instrumentos que poderão fazer parte da solução financeira: uma capitalização realizada pelos acionistas, a conversão de parte das dívidas em participação acionária, a substituição de obrigações existentes por novas dívidas e o alongamento dos prazos de amortização.

Os termos ainda não estão definidos, e o comunicado não informa o volume de eventual aporte, o montante que poderia ser convertido em ações, o desconto a ser aplicado sobre os créditos ou os novos custos financeiros.

Para os acionistas, o ponto mais sensível será a combinação entre capital novo e conversão de dívida. Dependendo da avaliação utilizada e do tamanho da operação, a reestruturação poderá provocar uma diluição relevante dos atuais investidores. Ao mesmo tempo, uma redução suficientemente grande do endividamento seria necessária para restaurar a capacidade financeira da companhia.

O pedido representa, portanto, apenas o início da negociação. Além da adesão adicional dos credores, o mercado deverá acompanhar quem fornecerá novos recursos, qual será o envolvimento dos acionistas de referência e quanto da dívida permanecerá no balanço depois do processo.

#### Operação fica fora da recuperação

A recuperação extrajudicial não incluirá as obrigações operacionais correntes com fornecedores, clientes e demais parceiros comerciais. Segundo a Oncoclínicas, esses compromissos continuarão sendo pagos normalmente e os serviços de tratamento oncológico não sofrerão interrupções.

A separação é importante porque permite concentrar a negociação nos passivos financeiros sem colocar automaticamente fornecedores e prestadores de serviços dentro do processo. Também busca proteger a continuidade dos tratamentos, um tema particularmente sensível para uma companhia que atende pacientes em unidades espalhadas pelo país.

#### Companhia abandona projetos imobiliários

Como parte das medidas para reduzir seus compromissos, uma subsidiária da Oncoclínicas rescindiu um contrato de locação *built-to-suit* de um imóvel localizado na Avenida Angélica, em São Paulo. A multa estimada em R$ 76 milhões foi incluída entre os créditos abrangidos pela recuperação.

Outra subsidiária encerrou o contrato relacionado a um hospital que seria construído em Goiânia. Nesse caso, o valor da multa ainda está sendo calculado e foi classificado pela companhia como incerto e ilíquido.

As rescisões mostram que a reestruturação não ficará restrita à troca de dívida. A Oncoclínicas também está revendo projetos e compromissos imobiliários de longo prazo, numa tentativa de reduzir desembolsos futuros e preservar liquidez.

O pedido de recuperação extrajudicial foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e ainda será submetido à ratificação dos acionistas em assembleia geral extraordinária.

A questão central agora será a divisão do custo da reestruturação entre acionistas e credores. A companhia conseguiu o apoio necessário para abrir o processo, mas ainda terá de definir os termos econômicos capazes de atrair a maioria restante — e mostrar que o novo balanço será sustentável depois da conclusão do plano.

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Source: Brazil Stock Guide, https://brazilstockguide.com/br/insights-br/oncoclinicas-recuperacao-extrajudicial-divida-5-bilhoes/
