# O lucro de R$ 5,4 bilhões da Amil pode não ser o que parece

*Grande parte do resultado vem de créditos tributários e ganhos de reestruturação, enquanto a operação mostra recuperação mais gradual.*

- Published: 2026-03-22
- Updated: 2026-03-23
- Section: Insights
- Tags: créditos tributários, Hapvida, lucro Amil 2025, operadoras de saúde, reestruturação, setor de saúde, UnitedHealth Brasil
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![Amil, Health](https://i0.wp.com/brazilstockguide.com/wp-content/uploads/2025/08/AMIL.jpeg?fit=1024%2C683&ssl=1)

*Amil, Health*

**By Brazil Stock Guide –** A Amil registrou lucro líquido de **R$ 5,4 bilhões em 2025**, ante **R$ 619,8 milhões em 2024**, o maior entre as operadoras de saúde no Brasil, superando concorrentes como Bradesco Saúde, SulAmérica e a Hapvida, líder do setor em número de beneficiários. O resultado marca uma virada relevante pouco mais de um ano após a companhia deixar o controle da UnitedHealth Group e passar para as mãos do empresário José Seripieri Filho.

A empresa passou por uma reestruturação profunda após anos de deterioração operacional sob o antigo controlador. Os efeitos começam a aparecer em 2025. O lucro reportado sugere uma recuperação expressiva e coloca a Amil na liderança do setor em termos de rentabilidade.

A comparação com 2024 ajuda a dimensionar a velocidade dessa recuperação. A companhia já havia retornado ao lucro no ano anterior, após um período de perdas bilionárias, mas o salto em 2025 levou o resultado a um novo patamar.

O número, no entanto, exige leitura mais cuidadosa. Uma parcela relevante do resultado não veio da operação corrente, mas de efeitos contábeis e reorganizações societárias.

A companhia reconheceu **R$ 2,1 bilhões em créditos tributários**, decorrentes de prejuízos acumulados em anos anteriores. Além disso, registrou cerca de **R$ 1,4 bilhão em ganhos associados à reorganização hospitalar com a Dasa**, no contexto da criação de uma joint venture.

Ambos os efeitos não tiveram impacto direto no caixa. Ajustando esses fatores, o lucro recorrente fica em torno de **R$ 1,9 bilhão**, refletindo de forma mais fiel o desempenho operacional.

Ainda assim, há melhora real. A Amil conseguiu reduzir sua sinistralidade em **4,4%**, com impacto de aproximadamente **R$ 0,8 bilhão na redução de custos médicos**. Em um setor pressionado por inflação médica, esse avanço é relevante.

A queda da sinistralidade indica maior disciplina na gestão de custos assistenciais, um dos principais determinantes de rentabilidade no setor de saúde suplementar.

A base de clientes também cresceu. Dados da ANS mostram cerca de **3,1 milhões de beneficiários em planos médico-hospitalares** e aproximadamente **2,6 milhões em odontologia**, evidenciando expansão relevante da operação.

O mix, porém, traz implicações. Planos odontológicos possuem ticket médio significativamente menor, o que significa que crescimento em volume não necessariamente se traduz em crescimento proporcional de receita.

Na prática, a geração de valor permanece concentrada no segmento médico, onde o ticket é mais elevado e o controle de custos tem maior impacto sobre margens.

A estratégia da companhia reflete essa dualidade. De um lado, expansão de base e ganho de escala. De outro, tentativa de elevar ticket médio e capturar segmentos de maior renda.

Nesse contexto, o lançamento do **Amil Black** marca um movimento relevante de reposicionamento, direcionado ao público premium.

Ao mesmo tempo, a estrutura do negócio passou por mudanças importantes. A criação da joint venture hospitalar com a Dasa reduziu a exposição direta da Amil a ativos intensivos em capital, alterando o perfil operacional da companhia.

Esse movimento sugere uma transição para um modelo menos verticalizado, com maior foco em gestão de risco e contratos, e menor dependência de ativos próprios.

A venda da Amil foi concluída em **dezembro de 2023**, quando a UnitedHealth decidiu sair do Brasil após anos de resultados pressionados e dificuldades em adaptar seu modelo ao sistema de saúde suplementar local. A operação foi estimada em cerca de **R$ 11 bilhões**, incluindo a assunção de dívidas.

Naquele momento, a Amil vinha de um período marcado por prejuízos bilionários, aumento de custos médicos e forte pressão sobre margens. O desafio não era crescer, mas estabilizar a operação e atender às exigências regulatórias, especialmente em relação às reservas técnicas.

Seripieri não é um recém-chegado ao setor. Ele fundou a **Qualicorp**, empresa que criou e consolidou o modelo de administradoras de benefícios no Brasil, ampliando a distribuição de planos de saúde por meio de contratos coletivos por adesão.

Após vender sua participação na Qualicorp, ele retornou ao setor com a criação da **Qsaúde**, posteriormente vendida, encerrando esse ciclo e abrindo caminho para a aquisição da Amil.

Diferentemente de suas iniciativas anteriores, a compra da Amil representou um salto de escala e complexidade. Em vez de construir uma operação do zero, Seripieri assumiu uma das maiores operadoras do país em um momento de fragilidade.

A nova gestão passou a atuar em múltiplas frentes, incluindo renegociação de contratos, controle de custos e reposicionamento de produtos, além de reequilibrar a companhia frente às exigências regulatórias de provisões.

O balanço reflete essa transformação. O patrimônio líquido avançou para cerca de **R$ 13 bilhões**, impulsionado pelos ganhos registrados no período.

Parte desse crescimento está associada aos efeitos contábeis reconhecidos, incluindo o aumento do ativo fiscal diferido, que reflete a expectativa de utilização futura de créditos tributários.

A estrutura de capital permanece leve, sem pressão relevante de endividamento, o que amplia a flexibilidade da companhia para executar sua estratégia.

O setor, no entanto, segue desafiador. A inflação médica continua pressionando custos, enquanto a judicialização e mudanças regulatórias adicionam incerteza ao ambiente competitivo.

O resultado de 2025 combina dois movimentos distintos: uma operação que melhora e um lucro amplificado por efeitos contábeis relevantes.

A Amil deixou para trás a fase mais aguda da crise e entra agora em um novo estágio, em que o desafio passa a ser transformar a recuperação em consistência. O lucro é recorde, mas a capacidade de repeti-lo ainda será testada.

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Source: Brazil Stock Guide, https://brazilstockguide.com/br/insights-br/lucro-amil-2025-r5-4-bilhoes-creditos-tributarios/
