# Venda da CSN Cimentos pode reduzir dívida líquida do grupo em 30%, para R$ 29,4 bilhões

*Operação de R$ 12,7 bilhões com a chinesa Huaxin deverá aliviar a pressão financeira do grupo do empresário Benjamin Steinbruch. Parte dos recursos será destinada ao pagamento de empréstimos.*

- Published: 2026-11-08
- Section: Insights
- Tags: CSN, CSN Cimentos, Huaxin
- URL: https://brazilstockguide.com/br/insights-br/csn-venda-cimentos-reducao-divida-huaxin/

![](https://i0.wp.com/brazilstockguide.com/wp-content/uploads/2026/10/CSN-saco-roxo.png?fit=1672%2C941&ssl=1)

**By Brazil Stock Guide —** A venda da CSN Cimentos para a chinesa Huaxin Building Materials Group poderá reduzir a dívida líquida consolidada da Companhia Siderúrgica Nacional (B3: CSNA3; NYSE: SID) em aproximadamente 30%, de R$ 42,1 bilhões para R$ 29,4 bilhões, segundo estimativas da XP Investimentos. A operação representa um dos principais movimentos da companhia para reorganizar sua estrutura de capital e reduzir a pressão dos elevados custos financeiros sobre seus resultados.

O acordo assinado no sábado, 7 de novembro, atribui à CSN Cimentos um valor de empresa (*enterprise value*) de R$ 12,7 bilhões (US$ 2,31 bilhões). Desse total, aproximadamente R$ 9,03 bilhões (US$ 1,64 bilhão) correspondem ao valor estimado das ações que serão adquiridas pela Huaxin, enquanto os R$ 3,67 bilhões restantes refletem a dívida líquida de referência da subsidiária, conforme informações divulgadas pela compradora.

**Quanto a CSN vai receber pela CSN Cimentos?**

A CSN não receberá R$ 12,7 bilhões em dinheiro. O valor estimado a ser pago pelas ações é de R$ 9,03 bilhões, sujeito a ajustes no fechamento. Entretanto, a saída da dívida da CSN Cimentos do balanço consolidado, combinada com o recebimento dos recursos, poderá produzir uma redução total do endividamento líquido próxima do valor de empresa acordado, segundo a avaliação da XP.

No último balanço divulgado, referente ao segundo trimestre de 2026, a CSN registrava dívida líquida consolidada de R$ 42,14 bilhões e uma relação dívida líquida/Ebitda de 3,49 vezes. Considerando a venda e a retirada da contribuição operacional da unidade de cimentos, estimada em cerca de R$ 1,6 bilhão de Ebitda nos últimos 12 meses, a XP calcula que a alavancagem poderia recuar para aproximadamente 2,8 vezes, uma redução de 0,7 vez.

#### Quanto dinheiro ficará disponível?

A venda também deverá permitir à CSN amortizar compromissos financeiros de curto e médio prazos, sobretudo o empréstimo-ponte contratado em abril de 2026 com bancos internacionais. A operação, inicialmente de US$ 1,2 bilhão e com possibilidade de ampliação para US$ 1,4 bilhão, foi estruturada no contexto do programa de desinvestimentos da siderúrgica.

Em análise publicada em 30 de outubro, a XP estimou que entre R$ 6 bilhões e R$ 6,5 bilhões dos recursos poderiam ser destinados à liquidação antecipada desse financiamento. O banco calculava, na ocasião, que aproximadamente R$ 3,3 bilhões permaneceriam disponíveis em caixa após considerados os compromissos financeiros relacionados à transação.

O valor efetivo, entretanto, ainda é incerto. Considerando o preço de R$ 9,03 bilhões pelas ações agora detalhado pela Huaxin, e uma amortização entre R$ 6 bilhões e R$ 6,5 bilhões, a parcela remanescente ficaria entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões, antes de eventuais ajustes contratuais, despesas e outras destinações. Trata-se de um cálculo indicativo, não de uma projeção oficial da CSN.

A redução do endividamento também poderá diminuir as despesas financeiras futuras. Na avaliação da área de renda fixa da XP, a empresa poderá priorizar a recompra de pelo menos US$ 200 milhões em títulos com vencimento em 2030, emitidos em agosto deste ano. A operação permitiria reduzir o cupom desses papéis de 11% para 10,5% ao ano, conforme cláusula prevista na emissão.

#### Venda cobre boa parte da meta de desalavancagem

A operação representa um avanço importante no plano anunciado pela CSN em janeiro de 2026, quando seu Conselho de Administração autorizou um programa de alienação de ativos para reduzir o endividamento em R$ 15 bilhões a R$ 18 bilhões.

Tomando como referência o valor de empresa de R$ 12,7 bilhões e seu potencial impacto na dívida líquida consolidada, a venda da divisão de cimentos corresponderia a aproximadamente 71% a 85% dessa meta inicial, embora o resultado efetivo dependa dos ajustes de fechamento e da evolução das demais contas do grupo.

A estratégia de longo prazo da CSN prevê dobrar o Ebitda em até oito anos e alcançar uma relação dívida líquida/Ebitda próxima de uma vez. Para isso, a companhia pretende concentrar investimentos em atividades de maior rentabilidade e potencial de crescimento, ao mesmo tempo que busca melhorar o perfil de vencimento de suas obrigações.

Apesar do alívio proporcionado pela venda, os desafios financeiros permanecem. A CSN continuará com endividamento elevado e deixará de consolidar os resultados de uma das maiores fabricantes de cimento do Brasil. A redução da dívida, portanto, deverá ser acompanhada por esforços adicionais de geração de caixa e disciplina nos investimentos.

A operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), da anuência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e das autorizações regulatórias chinesas. Os recursos somente serão recebidos após a conclusão da transação.

A CSN divulgará seus resultados do terceiro trimestre de 2026 em 12 de novembro, quando o mercado poderá avaliar a evolução mais recente do endividamento e os próximos passos da estratégia de desalavancagem.

---

Source: Brazil Stock Guide, https://brazilstockguide.com/br/insights-br/csn-venda-cimentos-reducao-divida-huaxin/
